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Bonecas que mamam no peito: a importância das referências para as crianças

por Thainá Halac

Já repararam na quantidade de bonecas que são vendidas tendo como principais acessórios mamadeiras e chupetas? Desde que Felipe nasceu frequento mais lojas de brinquedos, vejo mais anúncios voltados para esse público e sempre me indago: a quem interessa fazer com que as crianças criem a referência de que bebês precisam de bicos artificiais?

Quem disse que os cuidados maternos passam, necessariamente por oferecer mamadeiras e chupetas? São diversas as opções nas prateleiras, das mais baratas até as mais caras, como a Baby Alive, que pelo que percebo é um verdadeiro objeto de desejo das pequenas.

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É importante criarmos REFERÊNCIAS desde cedo. E isso começa no lúdico, com os brinquedos. Por isso a importância de ter bonecas de várias etnias e cores de pele, de incentivar meninos a brincarem com bonecas e outros elementos erradamente ditos femininos, como panelinhas e, no caso da amamentação, ter bonecas que não usem chupetas nem mamadeiras.

Pode parecer besteira, mas a criança cresce achando que esse é o correto. E não é! Devemos incentivar a amamentação materna desde sempre. Os bicos artificiais e fórmulas podem ser usados se forem necessários, mas não devem ser preponderantes. Não devem fazer parte dos enxovais. Não devem permear o imaginário infantil.

A boneca amamentada ou o bebê do leite materno

A única boneca que temos conhecimento é a “Breast Milk Baby”, que em 2012 causou polêmica no Reino Unido. Numa busca de internet não encontrei nenhuma disponível para venda – na Amazon, por exemplo, a boneca está no catálogo, mas infelizmente não há nenhuma disponível.

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Uma reportagem do mesmo ano do jornal britânico The Guardian mostra o debate em torno do “Bebê do Leite Materno” – uma boneca que permite que as crianças finjam amamentação. A polêmica foi por conta do olhar dos adultos, que achavam que a boneca poderia sexualizar precocemente as crianças.

A boneca foi lançada no mercado europeu para melhorar as taxas em relação à amamentação: dados da época revelam que 90% das mães do Reino Unido pararam de amamentar antes do recomendado pela Organização Mundial da Saúde. Inclusive um relatório da Unicef é citado na matéria destacando que cerca de 40 milhões de libras esterlinas poderiam ter sido economizadas pelo Parlamento caso houvesse aumentos moderados nas taxas de amamentação –  economia baseada no fato de que a fórmula alimentícia aumenta estatisticamente  doenças infantis e os casos de síndrome da morte súbita infantil e afeta negativamente a saúde materna.

Grande parte do insucesso da “breastfeeding doll” está relacionado a um pano de fundo cultural, no qual os seios são vistos quase exclusivamente como objetos sexuais: é difícil para muitos adultos, infelizmente, separar os seios como alimento dos seios como parte do sexo.  Daí a problematização de uma criança fingir ter seios mesmo com o propósito benigno de amamentar sua boneca.

E exatamente por esse preconceito que é tão importante que tenhamos essa boneca no mercado: para que desde cedo todos achem normal que uma criança saiba como um bebê deve ser alimentado ao nascer (pelo seio, com leite materno), sem adquirir os tabus das gerações anteriores.

Como afirma Kitty Hagenbach, uma psicoterapeuta especializada na primeira infância, “embora as crianças possam não precisar de um boneco específico, acredito que a probabilidade de amamentarem seus filhos quando a hora chegar será aumentada por esse tipo de brincadeira”.

Se o mundo que as crianças veem é aquele em que bebês (reais ou brinquedos) são alimentados com mamadeiras e mulheres (seja na forma de boneca ou na vida real) têm seios celebrados apenas por sua função sexual, as barreiras à amamentação se tornarão ainda mais intransponíveis. Se aumentarmos a familiaridade com a amamentação através do brincar, isso pode fazer a diferença.

Qual é a sua opinião sobre bonecas que amamentam ou bonecas com bicos artificiais como acessórios? Queremos saber!

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