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O dia em que sucumbi à fórmula e mamadeira

por Thainá Halac

Nem tudo são flores quando falamos em amamentação prolongada. Recentemente, depois de um ano e seis meses de lactação sucumbi à fórmula e a mamadeira. Meus peitos continuam jorrando leite, mas a verdade é que eu me arrasto de tão cansada.

Dos três aos dez meses Felipe dormiu no berço do quarto dele. Acordava a cada três horas para mamar, regradinho, às vezes até esticava um pouco mais. Sou a favor de cama compartilhada tanto pela questão da segurança emocional (lembro como me apavorava quando era criança a ideia de dormir sozinha e de como me acalmava ao dormir no quarto dos meus pais), e nessa época fazíamos às vezes, quando estávamos em algum salto ou pico de desenvolvimento e eu precisava amamentar com mais frequência.

Foi quando voltei ao trabalho que resolvi aderir à cama compartilhada de vez. Mas por aqui tivemos um efeito: Felipe descontrolou as mamadas, queria dormir em cima de mim. Eu que já acordava a madrugada inteira para amamentar, ainda tinha que adormecer sentada, com um bebê em cima de mim e sem poder me mexer para que ele não acordasse.

Essa situação se arrasta até hoje, com quase 18 meses. Surtei e decidi que não queria mais isso para mim e resolvi acatar as recomendações de dar uma mamadeira para que ele se sentisse mais satisfeito e não acordasse mais.

Mesmo com todas as informações que tenho sobre a maturidade do sono do bebê – aqueles que ainda acordam na madrugada é porque não estão preparados psicologicamente para dormir a noite toda – e sendo contra a doutrinação para que a criança “aprenda a dormir”, resolvi arriscar. Eu precisava dormir. Eu preciso. O maior sonho da minha vida atualmente é dormir 8 horas seguidas.

Felipe bebeu a mamadeira inteira. Chorei baldes. De estresse, de alívio. E de falta dele se alimentando do meu peito. Sorte que duas horas depois ele acordou e me procurou. E eu concluí o que já sabia há tempos: ele não acorda com fome, acorda por necessidade emocional. Por querer carinho, amor, afeto. Por querer ficar perto de mim.

O desmame noturno não é garantia de sono contínuo para os bebês. Na verdade depois que voltei à sobriedade percebi que substituir o peito pela mamadeira só me faria ter que levantar, preparar o leite, retornar, gastar mais grana com fórmulas artificiais. Sem ter o meu bebê aqui pertinho de mim, ele me acariciando com essas mãozinhas em agradecimento e voltando a dormir rapidinho, até porque o leite materno tem elevados níveis de cortisol.

O meu corpo alimenta o dele, mas o leite não chega somente até o estômago, mas também ao coração e ao cérebro. Surtei mas já voltei ao normal. Sigamos com as nossas escolhas, com o objetivo de prolongar a amamentação com desmame gentil.

Respeito quem não gosta de amamentar porque realmente é desgastante. Mas o que são dois anos (ou um pouco mais) perante nossa vida inteira? Felipe não está preparado para o desmame. Muito menos eu. Entre a liberdade que o desmame me traria e a conexão que a amamentação me proporciona, preferi a segunda opção.

Alguma mãe precisando de apoio para prolongar a amamentação por aí? Marque nos comentários!

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